Da Itália ao mundo: a massa que virou linguagem universal

Restaurantes de São Paulo e Pomerode apresentam pratos de massa inspirados em cozinhas como as do Japão, da Alemanha, da Grécia e de Portugal. A seleção reúne formatos regionais, receitas artesanais e interpretações contemporâneas do macarrão.

O tema parte de um alimento presente em 99,7% dos lares brasileiros. A reportagem informa que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de macarrão em volume, atrás da Itália e dos Estados Unidos.

Publicado em 25 de outubro de 2026, o levantamento reúne endereços paulistanos e uma casa em Pomerode, Santa Catarina. Entre os pratos apresentados estão massas asiáticas, germânicas, africanas e mediterrâneas.

macarrão artesanal

O chef Heiko Grabolle, do Biergarten Pomerania, afirma que cada formato precisa ter uma assinatura própria, inclusive quando a produção artesanal ocorre em grande escala. A seleção aborda como técnicas, ingredientes e tradições culinárias de diferentes países aparecem nos cardápios.

Formatos e produção artesanal em um país que consome macarrão

O formato da massa influencia a maneira como ela recebe o molho, enquanto a farinha e o método de preparo alteram sua textura. Na produção artesanal, a superfície irregular e o trabalho manual ajudam a distinguir cada tipo de macarrão.

Na Itália, chefs têm recuperado receitas regionais como as orecchiette pugliesi, as trofie ligurianas e os pici toscanos, antes associados a vilarejos. A Alemanha também tem tradições próprias, entre elas o spätzle, feito com massa mole cortada diretamente na água fervente, e as maultaschen, recheadas.

Para o chef alemão Heiko Grabolle, do Biergarten Pomerania, a produção artesanal se relaciona ao uso de ingredientes locais e à valorização da comida regional. Ele afirma que massas com menos conservantes e menor grau de industrialização tendem a ter sabor mais genuíno e autêntico.

Grabolle também relata que, durante guerras e períodos de escassez na Alemanha, adicionava-se mais água à massa para fazê-la render, e ela era inicialmente preparada em tiras. Como o restaurante atende mais de mil pessoas por dia, a produção artesanal precisa ocorrer em grande escala; por isso, segundo o chef, cada formato deve manter uma assinatura própria.

Massas do Japão e da Coreia nos cardápios paulistanos

Na Vila Madalena, o Momonoki combina referências japonesas e brasileiras. Entre as opções está o Ebi Yaki Noodle (R$ 82), com udon salteado em molho cremoso de curry japonês, manjericão, tomates e legumes grelhados, acompanhado de tempurá de camarão.

O menu executivo do Momonoki inclui o Chicken Katsu Udon (R$ 71), feito com sobrecoxa de frango empanada e udon servido com molho de curry, manjericão, tomates e legumes. A refeição executiva também inclui entrada e sobremesa.

A Casa HARIO, no Itaim Bibi, reúne loja, cafeteria, restaurante e bar, e serve pratos como o Missô Lamen (R$ 65), com tiras de porco cozido, ovo, moyashi e cebolinha em caldo de missô. Outra pedida é o Sauce Yakissoba (R$ 79), de macarrão grelhado e levemente crocante com legumes, filé-mignon e molho da casa.

Na casa de carnes Lavva, na Bela Vista, o chef Paulo Shin apresenta o Japchae (R$ 65), prato coreano preparado com massa de batata-doce, legumes e molho de shoyu. O restaurante combina a tradição do korean barbecue com o churrasco brasileiro.

Tradições alemãs e releituras brasileiras

Em Pomerode, o Biergarten Pomerania serve spätzle artesanal por R$ 60. Preparada pelo chef Heiko Grabolle, a massa é frita na chapa e fica levemente crocante por fora e macia por dentro.

O prato pode ser coberto com molho cremoso de queijo e acompanhado de linguiça Blumenau ou cebola crocante. A receita germânica é apresentada na casa como uma preparação ligada à tradição do sul da Alemanha, com ingredientes e referências de Santa Catarina.



Em São Paulo, o Barbatana Amarela, do chef Diogo Wada, aproxima massas de peixes e frutos do mar preparados na brasa. O Espaguete de Camarão (R$ 122) leva massa negra feita com tinta de lula, camarões, bacon, quiabo e queijo Grana Padano.

Com unidades na Mooca e no Itaim Bibi, a Hospedaria homenageia a culinária paulistana e a influência dos imigrantes italianos. O Macarrão à Bolonhesa (R$ 85), com creme de queijo meia cura e manjericão, e o Macarrão ao Sugo (R$ 62), com molho de tomate, creme de queijo e manjericão, são feitos com parafuso e finalizados no forno a lenha.

França, Grécia e Portugal em pratos de massa

No Jardim Anália Franco, o MII Rooftop apresenta receitas de inspiração grega e mediterrânea. O Gnocchi Kalamari (R$ 129) combina massa dourada, ragu de lulas e ervas frescas, enquanto o Orzo Me Ahtapodí (R$ 159) reúne polvo grelhado, molho de tomate levemente apimentado e iogurte da casa.

Outra opção do MII é o Giovestsi (R$ 135), preparado com ragu de cordeiro, orzo e coalhada da casa. O restaurante fica no Complexo Vila Anália e associa as massas a ingredientes e preparos do Mediterrâneo.

Há 53 anos em São Paulo, o Bacalhau, Vinho & Cia serve o Espaguete à Mariscada (R$ 198 para duas pessoas), com molho vermelho, camarões, lulas, polvo e mariscos. As Conchas de Bacalhau às Natas (R$ 89) são recheadas com bacalhau e servidas com molho de natas, pedaços do peixe e brócolis.

Na Rua Amauri, o ECCO combina referências francesas e massas em pratos como a costela preparada por 12 horas com tagliolini na manteiga de sálvia, por R$ 125. O Agnolotti de queijo de cabra (R$ 95) leva lâminas de amêndoas e mel; no Marie Cuisine, os gnocchis aux mandioquinha dorés (R$ 139) vêm com cogumelos, creme de Gruyère, beurre noisette e demi-glace de aves.

Clássicos e receitas contemporâneas da Itália

No Fasano, o Tagliatelle com cogumelos porcini custa R$ 320 e é preparado com creme de queijo Grana Padano. O Fettucine ao alho, azeite e pimenta (R$ 267) é servido com ouriço-do-mar e enguia grelhada, e as massas podem ser substituídas por opções integrais ou sem glúten.

O Piccini Cucina, no Jardim Paulista, trabalha com massas frescas artesanais e ingredientes sazonais; entre os pratos está o Cavatelli all’Amatriciana (R$ 115), com pancetta, guanciale, molho pomodoro e pecorino. Já o Madonna Cucina, no Itaim Bibi, serve o Pasta di Zucca (R$ 104), recheado com abóbora e acompanhado de picles de abóbora e creme de alho negro.

No Bicchieri Cucina & Bar, na Vila Madalena, o Linguini Alle Vongole e Peperoncino (R$ 127) leva alho, vinho branco, vôngole fresco de Santa Catarina e pimenta. A casa também oferece o Tortelli di Pecorino Alla Tre Bicchieri (R$ 98), recheado com ricota de búfala, taleggio e pecorino romano, servido com molho trufado.

O Lassù, no 28º andar do Edifício K1, em Santana, tem vista de 270 graus e serve o Ravioli de Mozzarella (R$ 127), recheado com mozzarella de búfala, tomates frescos e manjericão. No Ristorantino, o Cacio e Pepe della Casa (R$ 145) é feito com tonnarelli, pecorino e pimenta-do-reino; no Mercato San Vincenzo, o Spaghetti alla Carbonara (R$ 89) leva gemas da fazenda do restaurante, guanciale, pecorino e pimenta-preta.

Referências africanas, peruanas e espanholas

O Preta Maria, em São Paulo, inspira-se nas cozinhas da Nigéria, do Benim, da Costa do Marfim, de Angola, de Moçambique e do Senegal, com foco em ingredientes produzidos no Brasil. O Capeletti de jaca com brodo de tomate (R$ 89) é servido com caldo aromático de tomates e azeite verde.

No Ama.zo, comandado pelo chef limenho Enrique Paredes, a Sopa Seca (R$ 98) aproxima referências espanholas e peruanas. O prato é um fideuá com temperos peruanos, chorizo espanhol e camarões grandes na brasa, acompanhado de molho de ají amarillo e chalaquita.

Nos Jardins, o Tanit, restaurante do chef Oscar Bosch incluído no Bib Gourmand do Guia Michelin em 2026, prepara o Fideuá de Camarões por R$ 156. A receita espanhola usa macarrão curto no lugar do arroz.



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